Projeto para o parque prevê aniquilação de pelo menos 130 árvores
Minutos após chegar ao ponto de praia quase vazio de Ipanema passando pouco das 7, sou abordado pela mocinha do casal que já desfruta de areia, sol e mar. Percebera que ouviam algo próximo de funk e intuíra, também pelo visual, que tivessem passado a noite, como tantos jovens da periferia carioca que vejo nos arredores do Arpoador.

Impressão que começa a cair quando, em inglês, a jovem pergunta se posso tirar uma foto deles. Respondo em português, mas, ela prossegue no idioma de Stevie Wonder e…. Trumpmusk.
Aciono três vezes o obturador da pequena câmera digital, vintage a essa altura da Era dos Smartphones, pergunto se está bom e o rapaz pede outro favor, agora uma Polaroide.
Função terminada, retomo minha instalação, à la anos 1970/80, fazendo com a areia uma poltrona, o que me permite recostar após o mergulho. Àquela altura, já tinha preenchido com o lixo ao meu redor um saco de supermercado.
Pouco antes do segundo, e derradeiro mergulho, a trilha já é “Superbacana”, na versão original e atemporal.
“Superbacana”, de e com Caetano Veloso
Saio da água e, ao passar, pergunto e tenho Boston como resposta. Pela primeira vez no Rio, a canção de Caetano não entrou por acaso. O produtor e compositor, que não me deu o nome (mas, anotou o meu), diz gostar de funk, bossa nova, samba.
Até o calçadão, onde acorrentei a bicicleta, recolho o dobro de… canudos, copos, garrafas (também de vidro), tampinhas, embalagens de plástico, destroços de isopor, guimbas…
Antes da fisioterapia do joelho esquerdo que me tirou temporariamente das corridas, passo no Jardim de Alah. Está prevista uma manifestação hoje lá, entre 9 e 10h30, contra o projeto de transformar o parque num empreendimento comercial de restaurantes, lojas, estacionamento. Enquanto isso, quase ao lado, na Lagoa que se conecta ao mar pelo canal do Jardim, está abandonado há anos um complexo similar, o defunto Lagoon.
Vai por aqui o apelo e o protesto.

PS: há mais de um mês sem publicar, percebo que ocorreram mudanças no WordPress e apanhei até conseguir subir texto via celular.
PS2: em casa, tentarei subir a música.
PS3: o protesto

PS4: sem tempo para editar o texto, acrescento que apesar de cheio, com muitas e importantes falas, causou surpresa a ausência de jovens e maduros. A grande maioria dos protestantes eram de ao redor de minha faixa septuagenária. Mas, vamos virar esse jogo. Não ao absurdo projeto,enquanto, ali ao lado, o complexo de restaurantes, cinemas, teatro do Lagoon está fechado há anos.

Eu preferiria uma remodelagem do Jardim de Alah, com um projeto paisagístico que aumentasse o seu verde, dando-lhe maior beleza, mais bancos, boas áreas de sombra, praças para o lazer das crianças, um corredor circundando o perímetro para caminhadas (nada de biclcletas elétricas!), uma melhor iluminação com postes baixos decorativos e postes altos no contorno externo, lixeiras instaladas em vários pontos, caminhos internos para passeios a pé e com carrinho de bebê e policiamento fixo, onde somente ambulantes cadastrados e em número controlado, portando carrocinhas do tipo de venda de sorvetes e balas, cachorro quente, pipoca e algodão doce pudessem comercializar suas guloseimas. Tudo isso preservando a área verde e a expandindo. Nada de construções como pretendido pela prefeitura. Deveríamos ter a cultura de mais áreas de verde na cidade. A expansão comercial deve buscar outras áreas com potencial de crescimento, ao invés de sufocar os moradores dos bairros já há muito estabelecidos, aos quais cabem mais os serviços municipais de conservação, que andam um pouco a desejar em certas áreas.
Sem dúvida. E o parque foi abandonado para tentar justificar esse indefensável empreendimento comercial.
Exatamente! Infelizmente, interesses outros que não se alinham a uma maior qualidade de vida para os moradores, porque visam exclusivamente o lucro que poucos possam extrair de negócios como os aqui propostos, têm ganhado corpo em nossa cidade. O entorno do Jardim de Alah já é farto de opções de bares, restaurantes, pizzarias e outros estabelecimentos comerciais, não havendo motivo algum para saturar com mais do mesmo, principalmente sacrificando uma área verde cujo pensamento do poder público deveria ser de uma melhor conservação e embelezamento.
Sim, ali do lado, tem o abandonado complexo do Lagoon. Um monte de restaurantes e salas de cinema fechados.