Adeus, Alvin L.
Para ler ao som de “Hemingway”, de e com Alvin L
Ainda faltam detalhes da causa, mas, a notícia da morte de Alvin L., nesse domingo, 5 de abril, é um baque. Aparentemente, morreu dormindo, o que seria uma boa morte, mesmo que precoce, aos 67 anos, com a aparência de sempre jovem.
Sem o sucesso de seus contemporâneos, foi um dos artistas mais criativos da geração roqueira dos anos 1980. Tia Wiki me conta que, nascido como Arnaldo José Lima Santos, em Salvador, em 1º de abril de 1959, foi registrado no Rio de Janeiro. Alvin era uma enciclopédia ambulante do rock e de suas variantes. Reservado e gay, com humor ácido, deixou essas marcas em sua obra.

Lançou apenas um álbum solo, “Alvin” (Sony, 1997) – que roda muito bem ao fundo, mostrando resistência após quase três décadas. Antes, formou pelo menos quatro bandas, a punk Vândalos; a new wave Rapazes de Vida Fácil (com um delicioso compacto simples lançado em 1982 pela PolyGram); a new bossa Brasil Palace (da qual guardo boas lembranças da fita demo K7, mas, o tocador de cassete fora de uso não ajuda); e Sex Beatles, esta, com dois CDs lançados pelo selo RockIt, de Dado Villa-Lobos. Por sinal, em 1993, quando Kurt Cobain me contou em entrevista para “O Globo” que criara o Nirvana pensando numa fusão de Beatles com Sex Pistols, comentei da banda carioca Sex Beatles.
Grupos e carreira solo à parte, a arte de Alvin ficou mais conhecida na voz de Marina, que, em 1991, em seu melhor álbum, “Marina Lima”, lançou “Não sei dançar” (balada enlevada com letra e música dele). No seguinte, e também relevante, “O chamado” (1993), Marina bisou Alvin, em outra balada bela, “Stromboli”.
Além de Marina (que continuou gravando Alvin), ele foi o principal responsável pelo renascimento do Capital Inicial, parceiro em muitos dos sucessos do grupo de Dinho Ouro Preto na primeira década do século XXI.
Por diversas razões, incluindo pensamento político, acabamos nos afastando. O último 1º de abril no qual K e eu comparecemos, e reencontramos tantos outros amigos que, hoje, também devem estar tristes, já deve ter uma década, alguns meses antes do golpe de 2016. Mas, nunca deixei de gostar de Alvin, o ser humano e o artista.
PS:
“Não sei dançar” com seu criador.
