Toda a forma de ouvir música vale a pena

Às voltas com os erros de uma caixa supostamente inteligente

Para ler ao som (e vídeo) do reencontro desses dois enormes, em julho de 2002, quando recriaram “Presente cotidiano”, canção de Luiz Melodia lançada por Gal Costa no álbum “Índia” (1973) e regravada cinco anos depois pelo autor, no disco “Mico de Circo”.

Em setembro de 2019, em viagem de trabalho, comprei uma HomePod (a caixa de som supostamente inteligente), incluindo a garantia adicional de dois anos (Apple Care). Em fins de fevereiro de 2020, o aparelho resolveu parar de atender comandos, seja de voz (“Hey, Siri, play…”) ou toque. Em contato com o suporte da Apple Br, a surpresa: aquele aquele produto não tinha garantia no Brasil. “Na loja em Miami, eu deveria ter sido avisado disso”, argumentei. 

O funcionário concordou e sugeriu levar a caixa à loja oficial no Rio, o que fiz no dia 3 de março, conseguindo agendar horário no Genius Bar. Saí de lá com um documento confirmando a “morte” da HomePod e nenhuma solução. “Troca só em loja da Apple nos EUA”. 

Cerca de uma semana depois, decretada a quarentena-covid, então sem previsão de acabar, voltei ao suporte Apple Br, que me botou em ligação com o departamento nos EUA. Agora em inglês, a resposta foi a mesma, “Só aqui, e quando as lojas abrirem” (essa conversa aconteceu em maio de 2020).

Como a garantia furada iria expirar em agosto de 2021 e minhas reuniões presenciais para o Grammy Latino não tinham previsão de retorno, acabei pagando o despacho para um casal de amigos nos arredores da Filadélfia. Na Apple Store mais perto, trocaram a HomePod, que continua funcionando até hoje.

Apesar da má experiência, em junho de 2024, dei nova chance à caixa. Até agora, problema algum de hardware. No entanto, a navegação na plataforma da Apple Music piorou bastante após a atualização feita no fim do ano passado. Por uns tempos, passou a ser impossível acessar minha biblioteca via Mac, apenas pelo iPhone. Ou então, pelo comando de voz, “Hey, Siri, toque tal coisa (ou música em geral)”, e prosseguir pelas sugestões do algoritmo ou sugerir mais coisa. Como o português ainda não foi adicionado ao cérebro da HomePod, nomes de artistas ou de música no idioma de Camões e MC Cabelinho nem sempre são entendidos. Mas, deve ser questão de prática, já que raramente peço música. E menos ainda perguntas variadas e serviços domésticos (para quem tem iluminação, trancas de portas e janelas, ar condicionado, etc controlados)  disponíveis a um papo reto com Siri.

Gastei algumas horas com o suporte  sem chegar à solução para essa questão de software. Mesmo quando o assunto foi levado à escalação mais alto da equipe. Até conseguirmos uma gambiarra, que nem sempre funcionou. Por algumas semanas o erro prosseguiu, até que, já em 2026, o diálogo entre  caixa e laptop voltou.

PS: Arrastados pela nora alemã, a confirmação de que música ao vivo continua outra coisa, grande experiência, como a proporcionada por um bando de bambas, ontem à noite no Glorioso Cultural. É casa de música aberta há três anos no Catete, com programação diversificada. Essa terça foi de choro samba gafieira jazz lambada, nas mãos e bocas de Eduardo Neves (sopros), Antonio Neves (trombone), Everton Soares (trompete), Jovi Joviniano (percussão), Luis Felipe de Lima (violão) e tantos mais que não reconheci ou memorizei os nomes, em noite que ainda teve canja de Felipe Cordeiro (guitarrista, compositor de Belém agora vivendo no eixo Rio-SP).

Publicado em ...
Avatar de Desconhecido

Autor: Antonio Carlos Miguel

Amador de música desde que se entende por gente. Jornalista, fotógrafo especializado no mundo dos sons combinados.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.