Clássico de Cartola ganha versão jazzística em “Filin”
Para ler ao som de “Las rosas no hablan”, com Melissa Aldana e Cécile McLorin Salvant
Entre o fim dos anos 1940 e início dos 1960, o filin estava para Cuba como o samba-canção e a bossa nova para o Brasil. Ambos eram frutos nativos e alvo da influência do jazz, tão bem retratada cantada por Carlos Lyra. E não só sobreviveram como inspiraram e foram adicionados à biblioteca do gênero afro-estadunidense que virou um idioma planetário.
Daí a boa surpresa de encontrar em “Filin”, o recente registro da chilena Melissa Aldana, “Las rosas no hablan”. É versão quase literal para o idioma de Cervantes e Bad Bunny da letra de Cartola, na voz de Cécile McLorin Salvant (que está presente em mais uma faixa do álbum). E bom chamariz para nós brasileiros mergulharmos neste que é o terceiro disco da saxofonista tenor para o selo Blue Note.

Em “Filin”, Melissa Aldana navega com leveza e invenção por um repertório que, en verdad e como o clássico de Cartola prova, vai além do gênero cubano. É também o caso de “Little Church”, a “Igrejinha” de Hermeto Pascoal que Miles Davis invadiu no ao vivo “Live-Evil” (1971).
Assim como “As rosas…”, a abordagem “filin” para o tema do Bruxo é super cool, remetendo ao período de Miles Davis na virada dos anos 1950 e 60. É saxofonista master, com um idem quarteto completado por Gonzalo Rubalcaba (piano e arranjos), Kush Abadey (bateria) e Peter Washington (contrabaixo), para ser reverenciada.
Nesses tempos pra lá de conturbados, boleros (de mestres como César Portillo de La Luz, Frank Domínguez, Salvador Levy), Cartola e Hermeto de “Filin” são bálsamo mental.
