O manifesto neojazzista

Reinaldo Figueiredo revela o texto de um manifesto de um movimento que pretende, num primeiro momento, dominar o Brasil e, depois, o planeta Terra e todo o universo

Para ser lido ao som de Victor Assis Brasil

Arte: Reinaldo Figueiredo

Extra! Extra! Para esta edição especial dos quatro anos da AmaJazz, nossa reportagem teve acesso a um documento que está circulando há algum tempo pela deep web. Aparentemente, o texto é o manifesto de um movimento que pretende, num primeiro momento, dominar o Brasil e, depois, o planeta Terra e todo o universo. Publicamos aqui, com exclusividade, alguns trechos deste documento:

Um espectro ronda o mundo: o espectro do jazzismo. Todas as potências se uniram numa campanha difamatória contra ele. A partir dessa constatação, podemos concluir que o jazzismo já é reconhecido como uma força poderosa por todas as potências do mundo ocidental. E do oriental também.

É chegada a hora de tomar o poder, mas isso será fruto de um longo trabalho de esclarecimento da população. Nosso projeto é transformar o Brasil numa jazzocracia. Achamos que já existem condições objetivas para a criação de uma república jazzocrática, na qual as crianças poderão frequentar escolas sem partido, mas com jazz. Criaremos uma sociedade com leis para estimular a posse e o porte de instrumentos musicais, mesmo os mais poderosos, como o saxofone Selmer AR-47 automático, que tem capacidade de disparar até 960 notas por minuto.

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Nosso movimento já tem seus heróis e seu lema. E o nome de um dos heróis faz parte do lema: “Victor Assis Brasil acima de tudo, jazz acima de todos”. É muito apropriado que o grande saxofonista e compositor já tenha, em seu próprio nome, o nome de nossa pátria. Este projeto de poder tem que apelar para a emoção, e a música é o melhor caminho. E além de patriotismo, o movimento também terá uma dose de militarismo. Assim, outro nome que será lembrado nas manifestações neojazzistas é o do inesquecível trompetista Márcio Montarroyos, que era carinhosamente chamado pelos amigos de “General”.

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Outra proposta do movimento é a criação de um plano de cooperação internacional, nos moldes do programa Mais Médicos. Será o programa Mais Músicos, com a participação de músicos cubanos, israelenses, italianos, japoneses ou de qualquer outra nacionalidade. Equipes de músicos altamente capacitados, liderados por Chucho Valdés, Anat Cohen, Stefano Bollani ou Hiromi Uehara levarão o jazz às regiões mais remotas do Brasil. Os povos indígenas e as populações ribeirinhas finalmente terão direito ao acesso gratuito a todas as modalidades de jazz.

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Mas não permitiremos que nossas diferenças ideológicas e suingológicas sejam um problema intransponível. Como disse o clarinetista e saxofonista cubano Paquito D’Rivera, ferrenho adversário do regime castrista: “A relação entre governos e países é complicada e até caótica, mas se o encontro é entre artistas, o pesadelo termina quando a música começa”.

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Jazzistas e jazzófilos do mundo, uni-vos! Nada tendes a perder a não ser vosso tempo ouvindo Kenny G!

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