Declaração de amor ao jazz

Bruce Henri fala de como é sua relação de amor com jazz e de como é sair tocando por aí

Para ser lido ao som de Bruce Henri ao vivo em Búzios

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um grande parabéns a AmaJazz pelo primeiro aniversário dedicado a manter seus ouvintes, “ouvintes” sim, a par dos enredos filosóficos e notícias que colorem este nosso mundo particular. Quando digo “nosso mundo” me refiro ao planeta dos músicos que têm em comum a preferência por uma expressão musical livre e espontânea, além da capacidade e experiência necessárias para executá-la sem cair em clichês e armadilhas previsíveis. Dito isso, sem querer provocar nenhum mal estar, apenas exercendo um pouco de livre expressão, confesso que o nome deste nobre veículo informativo me leva a querer propor que nós, os músicos que habitam este planeta onde resido há tantas décadas, não “amamos” o jazz. Nem amamos e nem pensamos a respeito, apenas somos. Quem “ama” é ouvinte.

Este pensamento, que tem ocupado ultimamente a pequeníssima parte do meu cérebro dedicada a pensar, me ocorreu ao ler um post do Renato “Massa” Calmon, grande músico e amigo que muito estimo (“posts” vieram para substituir a coluna social no novo milênio, mas este é assunto para outra hora). Neste post o Massa comenta que temos motivos para celebrar pois o jazz rola vivo e solto numa dúzia de casas e bares do Rio de Janeiro, que ele passa a enumerar uma por uma. A diferença para os anos 80, quando minha labuta se resumia exclusivamente a tocar jazz na Cidade Maravilhosa, quem amava jazz fazia fervilhar finos ambientes como People, Mistura Fina, Jazzmania, Rio Jazz Club e outros além do Free Jazz Festival que, graças ao preço e consumo elevados de prazeres etílicos como scotch e champagne, conseguiam pagar os músicos generosamente. Além destas gigs constantes, os ânimos desta high Society de  amantes do jazz levava à realização frequente de festas particulares, eventos e reuniões onde ter uma formação de jazz ao vivo era in e um must. Isso tudo mudou. No mundo dos ouvintes de hoje, quem ama jazz é uma minoria genuinamente interessada na música em si, como os leitores desta publicação, a quem aproveito para agradecer pelo amor e carinho ao nos dar a certeza de estarmos alcançando algo além de (imensa) satisfação própria e pessoal. Quanto a ganhar a vida tocando jazz, isso é outro assunto…..

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