Gigante gentil

Marcos Abreu revira memórias de infância para lembrar o pouco lembrado Al Hirt, um fenômeno do jazz pop e divertido

Para ser lido ao som de Al Hirt em Cotton Candy

É interessante lembrar o momento exato em que as historinhas infantis foram deixando o toca-discos e os discos mais “sérios” começaram a tomar o seu lugar. Lembro de escutar música desde pequeno. Morando no interior e vindo a Porto Alegre mais ou menos uma vez por mês, recordo alguns desses primeiros sons: Tchaikovsky, o Concerto de Aranjuez, as coleções da MPB em fascículos da editora abril (ainda em rótulo amarelo) e Glenn Miller. Mas tudo mudou quando um dia apareceu lá em casa um disco de um trompetista americano, um cara grandão e barbudo, chamado Al Hirt. O disco rodou tanto que meu pai foi obrigado a recolhê-lo por uns tempos.

Foto: Anefo/Domínio público/Wikimedia Commons
Foto: Anefo/Domínio público/Wikimedia Commons

Alois Maxwell Hirt nasceu em Nova Orleans em 7 de novembro de 1922. Começou cedo, como trompetista da Junior Police Band. No início não se interessava muito por jazz e foi estudar clássicos. Ellis Marsalis, que trabalhou com ele em 1967, disse que ele tinha um nível técnico altíssimo e que tocava com extrema facilidade, tudo parecia fácil, mesmo o que não era. Entre 1940 e 1943, Hirt estudou no Conservatório de Música de Cincinatti, e depois de passar pelo exército começou a carreira como músico profissional, bandleader e compositor.

Suas primeiras gravações foram para a pequena gravadora de Southland em 1955. Três anos depois foi contratado pela Audio Fidelity, que produzia álbuns com excelente qualidade técnica, alguns em estéreo. As críticas desses lançamentos em revistas de alta fidelidade com circulação mundial foram importantes para impulsionar a carreira de Hirt e, em 1960, ele assinou seu primeiro contrato de gravação com a RCA Victor. Além das gravações, Al Hirt, chamado por Dinah Shore, virou um fenômeno televisivo, comandando um programa de variedades.

Tamanha exposição acabou afetando sua carreira musical, deixando Hirt num segundo plano entre os grandes trompetistas de jazz. A  reputação de Hirt também sofreu com a tendência da indústria fonográfica de levar o jazz embora de Nova Orleans. Hirt resistiu, permaneceu na cidade  e, em 1961, abriu seu próprio clube na Bourbon Street chamado simplesmente de “Al Hirt” e que se transformou em um dos lugares mais populares da música na cidade, com a banda da casa tendo Ellis Marsalis, pai do trompetista Wynton Marsalis, como pianista titular. O clube seguiu aberto até 1983, quando Hirt resolveu fechá-lo porque “a área se tornou muito perigosa e suja”, como falou em uma entrevista.

Nova Orleans desempenhou um papel importante na vida de Hirt e ele tentou sempre organizar a sua carreira em turnês curtas, a fim de ficar em casa o maior tempo possível para ficar próximo da mulher e dos seis filhos até morrer aos 76 anos, vítima de nsuficiência hepática.

Hoje escutei novamente o disco do Cotton Candy, aquele mesmo que escutei inúmeras vezes há uns 50 anos. O disco segue bom, e eu sigo gostando.

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